Como é feita a correção das provas?

Tempo de leitura: 18 minutos

Os concursos públicos ocorrem aos montes no país e são muito disputados por milhares de pessoas por dar novas oportunidades a suas vidas, com estabilidade, benefícios e remuneração, e com tamanha importância é interessante o candidato entender como funciona o processo de correção da prova.

As provas dos concursos são documentos oficiais, registrados em cartório que contam com alto grau de segurança e sigilo, para evitar fraudes e informações vazadas, criando assim um sistema seguro e justo para todos que a prestam.

O processo de correção também leva este mesmo pensamento. O gabarito só é feito após o termino da prova, jamais antes dela, para evitar que ele vaze e alguém saia favorecido com a prova.

Como durante a prova de concurso público as pessoas recebem o cartão respostas e o preenche no local onde acha correto e mediante uma cor especifica de caneta, a correção da prova é feita mediante um leitor óptico que interpreta a prova e passa para o computador e conta às respostas certas e os classificados.  

A correção é toda feita eletronicamente, assim para evitar erros humanos ou que determinada pessoa seja favorecida por alguém que possa corrigi-la e tenha más intenções.

Já nas provas dissertativas contrata-se uma equipe de especialistas nas matérias do edital para que realize a correção das provas. Neste caso é preciso que tenha-se um critério pré-estabelecido de correção para evitar que ocorra o erro de isonomia de um candidato a outro só pela forma diferente de responder as questões.

Na correção das redações, o candidato quando se sentir lesado pode pedir o scanner da sua folha de redação e pedir para que demais profissionais a examinem e veja se a nota recebida é plausível com a da banca examinadora. Caso conste que há distorções, ele pode entrar com recurso para a reavaliação da redação.

O resultado dos aprovados pode demorar em torno de um mês, variando com a quantidade de pessoas que participarem e a forma como a administração da empresa contratada para prestar o concurso é feita.

Os candidatos possuem o direito de questionarem a correção das questões, o resultado da classificação, pontos do edital e afins, e elas podem entrar com recurso administrativo que acaba sendo analisado, mediante a argumentação, justificativa e ponto discutido pelo candidato.

Se comprovado que há algo incorreto e o candidato certo em sua queixa, ele ganha o recurso e as medidas para corrigir o erro são tomadas.

Como pedir recurso de um concurso público?

O candidato possui dois dias para entrar com recurso questionando o gabarito ou a classificação ao qual tirou. Para apresentar o documento de pedido de reavaliação ao problema do candidato leva tempo, mais de um mês e é um custo caro, mas que não cabe ao concurseiro pagar, sim a empresa organizadora do concurso.

O recurso é analisado pela própria banca examinadora que fez as questões da prova e as corrigiu, para assim evitar maiores problemas como não entender o contexto ao qual o candidato está inserido e apenas a banca que elaborou as questões faz parte.

Para elaborar este documento é importante seguir algumas regras e dicas de pessoas experientes, pois o texto deve estar muito bem elaborado e claro com sua intenção e posição, já que mal argumentado e com a clara tentativa a querer ganhar alguns pontos extras são logo recusados.

Para elaborar a carta do recurso é recomendado que o candidato apresente ao menos duas argumentações ou uma que seja complementar a outra, sempre respeitando a norma ortográfica vigente, o bom senso e cordialidade. No edital do concurso há informações de como deve ser elaborado o recurso.

Argumentar com trechos de leis ou citações doutrinárias também não são uma boa saída para entrar com um recurso, já que há limites de caracteres para o recurso ser enviado, sendo que costuma-se ser de cinco mil caracteres e não adianta de muito para fazer a banca aceitar o recurso, sendo que as vezes pode até atrapalhar.

Basta contextualizar a situação, apresentar a reclamação e então argumentar de forma clara, objetiva e sem bater de frente com a banca examinadora, questionando sua capacidade em elaborar as provas e corrigir as questões, pois é algo mal educado e errôneo, já que são pessoas capacitadas que elaboram e corrigem as questões.

Até o candidato saber se o recurso foi aceito e aprovado leva tempo, mas é da obrigatoriedade da administração aceitar receber o recurso, já aceitar realmente a queixa é uma obrigação e um direito do candidato, para sanar os danos causados ao concurseiro, isto somente mediante constatação real do problema.

Só não é de sua obrigatoriedade colocar em vigor sua queixa, somente quando ela de fato está correta.

Erros mais cometidos pelas bancas organizadoras

As elaborações das questões de um concurso público contam com a participação de diversas pessoas que são especialistas, referências ou técnicos na área ao qual atuam e no que a prova demanda, e estas pessoas são as responsáveis por elaborar as questões das provas e por fim solucionar as questões para apresentar o gabarito.

Mas nem toda a empresa responsável pelo concurso público possui um bom contingente de pessoas para elaborar a prova, então erros, até mesmo simplistas, são cometidos e só notados após a realização da prova pelos candidatos.

Quando isto acontece demanda muito trabalho para solucionar os recursos que são entregues pelos candidatos, assim como formas de solucionar o problema, com anulação da questão, por exemplo.

Listamos abaixo alguns dos erros mais cometidos pelas bancas para que você, como candidato, fique de olho no edital e nas questões ali presentes (e suas alternativas, para que uma seja realmente correta e plausível para a questão), assim como o peso das questões e matérias na hora de saber a sua colocação diante da classificação.

Prova objetiva e suas respostas erradas: aquela prova de “x” que está muito presente nos concursos públicos apresenta erros algumas vezes, tendo casos onde todas as alternativas estão incorretas para a questão, assim como pode haver mais de uma resposta correta para a mesmo questão.

Tal confusão prejudica na hora de preencher o gabarito.

Conteúdo presente na prova e não no edital: ocorre que algumas perguntas demandam de tal conhecimento que o candidato que está prestando a prova não precisa necessariamente saber já que não estava no edital divulgado pela empresa responsável pelo concurso.

Tal situação pede a anulação da questão, pois o candidato deve obrigatoriamente saber o que está no edital, não algo que aleatório que não foi descriminado anteriormente, mesmo que este conteúdo seja relacionado a área ao qual a prova do concurso que está prestando.  

Falta de critérios claros para correção da prova: este erro ocorre em provas que são do tipo dissertativas e a resposta do candidato pode estar correta, mas seu modo de escrevê-la pode não ser o mais claro ou o esperado pela banca, e assim a resposta ser considerada incorreta.

Neste tipo de prova é importante deixar o candidato muito bem informado do modo que a avaliação ocorrerá, por quem ocorrerá e tendo os critérios claros, evita-se que aja muitos recursos para esclarecer e que injustiças sejam feitas diante do concurseiro que tanto depende daquela nota.

Erro de isonomia: consiste em atribuir notas distintas a candidatos que obtiveram o mesmo nível de desempenho, no caso das provas dissertativas e redações.

É um erro mais comum do que aparenta e a falta de justificativa da banca examinadora com o desconto dado a aquele menos beneficiado impede que o concurseiro entre com recursos e entenda com clareza o porquê de ter tirado tal nota e o outro não.

Erro com nível de escolaridade: ocorre de determinadas questões serem voltadas para o nível superior sendo que o concurso público é voltado para o ensino médio. Isto é incorreto e não permite que seja feito de forma igualitária para todos, sendo que assim apenas quem fez ensino superior é beneficiado na questão.

Na elaboração das questões de concurso público é sempre levado em consideração tal questão, para que evite recursos e anulações de questões, além de claro, prejudicar os candidatos que estão ali prestando com a escolaridade de ensino médio.

Erro de digitação: é um erro técnico, mas que provoca a anulação da questão, pois uma palavra escrita de forma incorreta ou trocada por outra gera duvida e induz o candidato ao erro.

O que acontece, às vezes, é a alternativa correta estar no lugar errado e o candidato ser induzido ao erro na hora de preencher o gabarito por causa da letra ou número da alternativa que estão incorretas.

Em quais circunstâncias ocorre a anulação de questões em concursos públicos

A anulação de questões de um concurso público ocorre mediante duas situações: recuso do concurseiro ou por meio do Poder Judiciário. Este último não ocorre com frequência, pois o Poder Judiciário não possui autonomia perante o edital e não pode intervir perante a banca julgadora e comissão responsável.

Recurso pelo candidato: ao entrar com o pedido de recurso e passar pela comissão responsável tendo o argumento bem fundado e com total legitimidade e reconhecimento do erro, a entidade anula a questão para todos os demais candidatos e calcula a pontuação total de todos.

O processo apura este reconhecimento do erro, pode demorar um pouco mais de um mês e requer paciência do candidato, mas se estiver com razão, valerá a pena recorrer e esperar o tempo necessário.

Ação judiciaria: por meio de uma ação ao Poder Judiciário, o candidato pode pedir a anulação de questões ao ter seu recurso negado e para isto, pode pedir auxilio a Defensoria Pública ou então entrar com um advogado para o caso.

O Judiciário pode intervir somente quando há irregularidade no edital (e não cumprimento do mesmo no ato do concurso) e intervenção em situações de erro grosseiro.

Ele também pode intervir quando está incorreta a forma de pontuação das questões, desobediência na ordem de aprovados no edital, violação das regras e inclusão de matéria não prevista no edital.

Basicamente o Judiciário protege a regularidade do concurso por meio do edital, já que não pode intervir na banca examinadora, questionamento de suas questões e afins.

Importância de ler o edital para entrar com o recurso

Todo concurso público apresenta consigo um edital, que costuma ser lançado dois meses antes da prova oficial para a vaga ao qual está disponível.

Nele encontra-se as informações necessárias para que o candidato saiba quais são as capacitações necessárias para disputar a vaga, as vagas disponíveis, quantidade, local da prova e datas especificas para realização da prova, correção dela e divulgação do resultado.

Além disso, no edital está escrito quais as matérias que cairão na prova, quantidade de questões, deveres e diretos do candidato e as regras para que ele, ao se sentir lesado em algum momento, entrar com um recuso para a banca examinadora avaliar sua queixa.

Alguns editais não colocam esta informação, mas ela é altamente importante e todo concurseiro deve se atentar a esta categoria do edital, pois será por meio dela que saberá como deve recorrer de forma correta sem perder tempo, qual o prazo para realizá-lo e qual o formato correto para elaborá-lo e conseguir ganhar a causa.

Quando percebe-se o descumprimento a regras presentes no edital, pode além de entrar com recurso a banca examinadora, entrar com um recurso perante o Poder Judiciário que regulariza a realização de concursos públicos no país. Ele também toma medidas cabíveis para corrigir as falhas ali presentes e defender os candidatos.

Normalmente costuma-se ter dois dias para entrar com o recurso, mas isto só é possível ser confirmado com a leitura do edital, então não fique com preguiça ou não ache que ele não possui valor, pois ele é um importante papel para lhe proteger e usar a seu favor quando notar que há situações injustas que foram cometidas pela organizadora do concurso.

O que ocorre aos candidatos com a anulação de questões?

A pontuação muda: com questões sendo anuladas a nota muda, já que uma questão (ou mais) a menos está ali e isto pode acarretar em uma pontuação maior ou menor da que foi tirada com a antiga validação da questão agora anulada. Isto pode prejudicar ou beneficiar alguns, varia com sua pontuação atual.

Pode levar até a desclassificação ou eliminação de um candidato com esta pequena mudança na variação da nota, porém é o correto a ser feito, não se pode manter a nota antiga quando nela está presente algum erro, por mais que alguns sejam altamente prejudicados por um erro cometido pela banca que fez as questões.  

Demora para ocorrer as chamadas: como ao entrar e passar pela avaliação da administradora do concurso demora, a efetivação da mudança das notas demora para ser feita e consequentemente o nome dos classificados pode ser alterada e também acaba demorando para sair oficialmente.

Com isto a demora para começar a chamar os classificados no concurso público para ocupar o cargo tende a demorar alguns meses a mais do que o normal caso não houvesse erro comprovado na prova. Mas esta espera tende a valer a pena para aquele candidato que entrou com recurso e foi prejudicado por algum erro cometido.

Quem são as pessoas que elaboram e corrigem as questões do concurso

Professores: As questões são elaboradas por pessoas altamente capacitadas na área que atuam, sendo que normalmente são professores de universidades renomadas, com mestrados, doutorados e pós-doutorados, sempre avaliando sua ética e competência pedagógica ao ensinar.

Um dos critérios para formular as questões é de que elas precisam ser inéditas, atuais e não cópias de questões anteriores dos demais concursos já realizados.

Depois de montada as questões, elas passam por um revisor que possui o mesmo papel de um candidato comum, fazendo todas as questões e por fim aponta pontos que necessitam ser modificados, assim como frases dúbias e erros no cálculo, tudo para evitar possíveis recursos que podem aparecer após ser apontado pelos candidatos.

Ao ter uma pergunta necessitando de modificações a pessoa responsável por elaborá-la é confrontada pelo cliente que a contratou e é pedido a modificação para a correção dos erros. Assim que corrigido, volta para o revisor e se aprovado passa a ser guardada para a elaboração de alguma prova.   

Sigilo: há um grande sigilo envolvido na hora da elaboração das provas, sendo que a banca examinadora nunca divulga os nomes dos ali envolvidos e para estas pessoas contratadas para elaborar as questões, não são divulgadas para qual concurso público e nem quando ela será publicada.

Todo este sigilo é em nome da ética e credibilidade dos concursos públicos feitos, para evitar falhas de segurança e vantagens indevidas. O segredo é tanto que ao ser uma prova objetiva (com alternativas) o elaborador só sabe a resposta certa, mas não quais são as outras alternativas erradas e em qual posição estará a questão correta.

Até mesmo na hora de contratar o profissional há um mistério envolvido, sendo que eles não sabem qual o órgão o contratou, sendo que é apenas anunciado os requisitos necessários, os critérios a serem seguidos, o valor a ser pago e as demais normas do contrato, mas nunca o nome da entidade.

Existe a possibilidade de cancelar um concurso por questões erradas?

Por questões incorretas não ocorre, já que elas são apenas anuladas e o resto delas continua em vigor. Dificilmente isto ocorre e quando acontece é devolvido o dinheiro gasto ao candidato e o concurso não entra mais em vigor e não chama nenhum dos classificados.

O candidato pode entrar em contato com a Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (ANPAC) e receber orientações para saber como proceder.

Os casos que fazem um concurso ser cancelado mesmo quando já foi realizada a prova são questões de fraude nas questões ou roubo do dinheiro investido pelos candidatos. Este cancelamento só pode ser feito pela Administração Pública do Estado.

Já houve casos de concursos públicos cancelados após o lançamento do edital, mas por fatores como falta de verba para a realização do mesmo e a indisponibilidade de arcar com o salário e benefícios dos classificados. Já neste caso o valor pago para a realização da prova é devolvido integralmente a cada pessoa que estava integrada.

Mas diante de qualquer tipo de cancelamento, os inscritos devem ser informados, de acordo com a lei, pelo órgão responsável pela elaboração, restando todos os esclarecimentos necessários e informar se há possibilidade dele entrar novamente em vigor.

Ainda, pode haver a suspensão da prova, em caso de uma segunda fase e os candidatos devem ser informados previamente para saber do motivo da suspensão repentina.

O candidato pode entrar na justiça com a má correção da prova?

Todo candidato pode entrar na justiça e ganhar a causa, quando devidamente comprovada, com direito até mesmo a indenização proporcional aos danos morais sofridos com a injustiça passada por causa da banca organizadora.

Em casos como mudanças no gabarito onde provocam a desclassificação do candidato, a justiça pode ser acionada. Com isto ela entrará com o pedido de reavaliação do gabarito e será refeita as questões para saber se estão realmente corretas e não há falhas em sua elaboração.

Além disso, com o cancelamento do concurso, com ele ainda em andamento e com fases a serem seguidas, permite que o candidato entre na justiça com o recurso pedindo indenização sobre os danos morais ao qual passou ao longo do processo que em suas ultimas fases é cancelado, levando ele a perder um cargo tão almejado e disputado.

O que jamais ocorre é o ganho do cargo ao qual disputou entrando na justiça, apenas quando há erro na classificação, então é refeita a colocação de todos e o candidato lesado estiver entre os classificados realmente, então tem o poder de assumir o cargo quando chamado.

O processo no Tribunal de Justiça tende a demorar por si só e ainda mais por ter que entrar em contato com a empresa organizadora e reaver todo o dinheiro da prova, mas não pode deixar de ser feito caso o candidato se sinta prejudicado pois é seu direito e deve ser preservado.

Como é feita a correção das provas?
Avalie esta postagem

Sobre Concurseiro Paulista

Sou ex-Oficial Aviador da Marinha e bacharel em Ciências Militares pela Escola Naval.Sou um dos responsáveis pelo site Concurseiro Paulista que já tem 16 anos de história. Venho nesse Blog passar toda a minha experiência, pois já consegui ser aprovado em 33 Concursos Públicos, entre eles Delegado Civil e Federal e tantos outros. A nossa missão e compromisso é ajudar você ser aprovado também.